quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Mestiçagens na Arte Contemporânea

O que são Mestiçagens na Arte Contemporânea? Que obras e que pressupostos teóricos servem de base a essa problemática? O Colóquio visa trazer ao público reflexões de uma equipe internacional de pesquisa composta por historiadores da arte, críticos e artistas visuais. Serão apresentadas diferentes abordagens a partir de obras que trazem, em si, cruzamentos e tensões constitutivas de uma das questões contemporâneas mais importantes: a mestiçagem. A exposição simultânea mostrará instigantes obras realizadas nos últimos anos pelos artistas pesquisadores. Os dois eventos evidenciarão relações entre teorias da arte e práticas artísticas e entre poéticas e poiéticas das obras. Icleia Cattani

Exposição Mestiçagens na Arte Contemporânea
Abertura: 05 de dezembro de 2007Visitação: de 06 de dezembro de 2007 a 27 de janeiro de 2008Museu de Artes do Rio Grande do Sul Ado Malagoli – MARGSPraça da Alfândega, s/n°. Informações: 32272311 Curadoria: Icleia Cattani
ArtistasAlfredo NicolaiewskyBernard PaquetEliane ChironLenir de MirandaMaria Lucia CattaniMaristela SalvatoriMarcelo GobattoPaulo Gomes

Com instalações, objetos, esculturas e vídeos que remetem ao interior de uma casa, a mostra Casa Fechada: Um Contexto em Aberto reúne obras de Munir Klamt , Laura Cattani , Klinger Carvalho, Marcelo Gobatto, Dione Veiga Vieira , Luciano Zanette e Gabriela Picoli. Marcelo Gobatto apresenta a projeção de vídeo intitulada Maria, que mostra imagens impregnadas de luz em um espaço repleto de memórias e intensidades afetivas. Ainda tendo o vídeo como suporte a mostra traz a videoinstalação Quarta Parede de Laura Cattani e Munir Klamt. Na obra os visitantes ficam diante de uma seqüência de escadarias que levam a lugares desconhecidos, com a proposta de instigá-los a repelir ou a sentirem-se convidados a desvendar estes novos lugares.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

sábado, 29 de dezembro de 2007


Caro x Long

Hoje, muito cedo, enquanto ainda tentava abrir os olhos, lembrei de um diálogo entre Caro e Long, quando o primeiro, em 1967, ainda era uma figura de destaque nas sessões de crítica prática da St. Martin School. Em certa ocasião, reza a lenda, Caro deparou-se com com um arranjo de gravetos no salão de exposições do departamento de escultura. Seguiu-se então uma conversa*.

Caro: "O que é isso?".
Long: "É uma peça de uma escultura de duas peças".
Caro: "Então me mostre a outra peça".
Long: "Está no alto de Ben Nevis".
Caro: "Então como posso avaliá-la se não posso ver tudo?"
(WOOD:1993, p. 2004)

Sempre achei esse diálogo engraçado.
Como um crítico de arte pode querer ver tudo?
Ou melhor, quando ele tem certeza de estar vendo tudo?
No final dos anos 60 e início dos 70, parece que esse tipo de conversa era o mais representativo do que estava acontecendo nas escolas de arte da Grã-Bretanha e, Richard Long estava feliz em promover seu trabalho como escultura.
Sempre que vejo as fotos de suas obras penso no prazer( como uma espécie de desabafo)que ele deve ter experimentado ao executá-las. Será assim?
Tenho vontade de carregar pedras como se isso pudesse ser divertido.
Percebo no trabalho uma força do desenho...feitos com as botas, com o corpo.
Pense nas caminhadas no deserto do Sahara, Peru, Bolívia...
Desenho ou escultura? Ambos. E algo que ainda possa nos escapar.
Entendo que o artista, assim como o crítico, não percebe tudo que está na obra.
Serão sempre recortes de um olhar...
É certo que alguma coisa estava acontecendo e alguns trabalhos não cabiam mais nas categorias tradicionais da arte, aquelas conhecidas até final dos anos 60...
Krauss falará do campo expandido da arte: algo que está na paisagem, mas não é paisagem...
está na arquitetura mas não é arquitetura...
Assunto pra um outro dia, quando talvez eu também comente a pintura do Daniel Buren.
Ah! Será que o Richard Long ainda acha que faz esculturas?

*(C. Harrison, "Sculpture's Recent Past". In: WOOD, Paul et alii. Modernismo em disputa: A Arte desde os anos quarenta. São Paulo: Cosac & Naif, 1993.

Ontem, de repente, tive "aquele momento" quando vi as fotos dos trabalhos recentes do Richard Long.
Cheias de silêncio cada obra carrega um pouco da humanidade...
Pedras, lascas, areia e logo a neve,
Recomendo
Da vontade de não falar mais nada,
de ser um pouco como as pedras,
ou pelo menos,
se fosse possível,
trilhar aqueles caminhos...
www.richardlong.org